IFSP Caraguatatuba participa de estudo sobre ensino de Geografia para alunos com TEA
O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) Campus Caraguatatuba amplia sua atuação na produção de conhecimento científico voltado à educação inclusiva ao integrar pesquisa nacional que analisa o ensino de Geografia para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil.
O estudo, intitulado “O ensino de Geografia para estudantes com Transtorno do Espectro Autista: uma revisão sistemática qualitativa entre 2016 e 2024 no Brasil”, reúne pesquisadores de diferentes instituições e conta com a coautoria das alunas Luiza Nissola Pereira e Alice de Paulo Pinheiro, estudantes do Ensino Médio Integrado ao Técnico em Informática do IFSP Campus Caraguatatuba, sob orientação de Lafayette Costa Neto, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo.
O manuscrito foi publicado na Revista Sítio Novo, periódico do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), classificado como Qualis A4 pela CAPES, evidenciando sua relevância e inserção na produção científica nacional.
A pesquisa realizou uma revisão sistemática qualitativa da produção acadêmica brasileira no período de 2016 a 2024, analisando 29 trabalhos, entre teses, dissertações, monografias e artigos científicos. O levantamento foi conduzido a partir de bases como o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e o Google Acadêmico.
O objetivo central foi mapear estratégias didáticas, identificar desafios enfrentados por docentes e analisar as contribuições de práticas pedagógicas inclusivas para a aprendizagem em Geografia. Os resultados demonstram que metodologias ativas e recursos adaptados ampliam significativamente a participação, o engajamento e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes com TEA.
Entre as práticas consideradas mais eficazes, destacam-se:
- utilização de materiais lúdicos e concretos, como mapas táteis, jogos e quebra-cabeças;
- emprego de tecnologias digitais e recursos de impressão 3D;
- adoção de sistemas de comunicação alternativa, como o PECS;
- desenvolvimento de atividades práticas voltadas à compreensão espacial.
O estudo também aponta desafios importantes, como a escassez de recursos didáticos e a necessidade de formação docente especializada. Os autores ressaltam que a efetivação da inclusão depende não apenas de estratégias pedagógicas, mas também de condições institucionais adequadas e políticas públicas consistentes.
De acordo com os pesquisadores, o ensino de Geografia apresenta elevado potencial para promover o desenvolvimento cognitivo e social de estudantes com TEA, desde que fundamentado em planejamento, formação continuada e compromisso institucional com a educação inclusiva.
A participação de estudantes pesquisadoras do IFSP Campus Caraguatatuba reafirma o compromisso histórico da instituição com a educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, fortalecendo práticas que valorizam a diversidade e garantem o direito de aprender.
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