Cine-Debate discutiu filmes sobre Inteligência Artificial
No dia 28 de outubro de 2015, quarta-feira, nos períodos vespertino e noturno, ocorreu mais um Cine-Debate no auditório do Câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com a exibição e discussão de dois filmes sobre o tema “Inteligência Artificial”: “Ela” e “Blade Runner – O caçador de androides”. A atividade foi organizada pelo Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira, coordenador do projeto de extensão “Cine-Debate: História, Ciência e Cultura”. Os estudantes universitários que colaboraram diretamente para a organização desta atividade foram: Giovanna Ataria Campos Santos, Lucas Demetrio Muniz, Ana Beatriz Vieira de Sousa, João Pereira Neto, Lucas Conelian de Oliveira, Adriana de Andrade, Dérick Alves de Jesus, Ariane Aparecida Roque Pereira Horta, Rafael Brock Domingos e Karen Sayuri Sampaio Tamanaha.
Professor Ricardo com bolsistas que organizaram o cinedebate
O primeiro filme apresentado às 16:00 foi “Ela” (“Her”), película de 2013 que foi dirigida pelo diretor Spike Jonze e que tem o ator Joaquin Phoenix fazendo o papel do protagonista principal do filme (Theodore) que em um futuro indefinido se apaixona por um Sistema Operacional (Samantha) cuja voz é da atriz Scarlett Johansson. Segundo a publicidade futurista desta época, este não é apenas mais um novo Sistema Operacional, mas sim uma verdadeira consciência que conta de fato com inteligência artificial, com a capacidade de revelar humor e expressar sentimentos. Após a exibição do filme, Leandro Carvalho Julio, estudante do curso de Licenciatura em Matemática do IFSP-Caraguatatuba, fez algumas considerações de modo a provocar uma discussão entre os presentes sobre o tema da inteligência artificial, inclusive conjecturando a respeito da possibilidade de surgir de fato consciência a partir da inteligência artificial de uma máquina ou computador e questionando se, neste caso, isto não poderia ser caracterizado como um tipo de vida. O debate enveredou por temáticas bastante interessantes e teve que ser encerrado poucos minutos antes das 19:00, o horário definido para a exibição do segundo filme deste cinedebate.
Licenciando Leandro Carvalho Julio
Às 19:00 foi apresentado “Blade Runner – O caçador de androides” um filme clássico dirigido por Ridley Scott e lançado em 1982. O protagonista principal deste filme, o policial Deckard, é encenado pelo ator Harrison Ford. Na cidade de Los Angeles no ano de 2019, em um futuro sombrio, ele caça replicantes (androides semelhantes aos seres humanos) fugitivos que são programados para viver por apenas quatro anos, mas que, como todos seres “vivos”, querem viver mais!
Professores Francisco, Ricardo e Wanderson
O debate que ocorreu após este segundo filme contou com a presença de dois docentes do IFSP-Caraguatatuba: o Prof. Dr. Francisco Fabbro Neto (que estava acompanhado por alunos da uma turma do curso de edificações para a qual leciona) e o Prof. Espec. Wanderson Santiago dos Reis. O professor Francisco que é arquiteto procurou refletir a respeito da visão “cyberpunk” de futuro que se manifesta no filme: um futuro sombrio no que diz respeito às condições ambientais para a vida, em uma cidade que parece estar supervoada, como é o caso da Los Angeles futurística apresentada pela película. Já o professor Wanderson que leciona disciplinas na área da computação, refletiu sobre como seria triste se cada um soubesse o dia e o horário exato da própria morte, como é o caso dos androides replicantes do filme. Além disso, foi lembrado que o filme aborda o chamado “teste de Turing”, em uma das suas cenas. Alan Turing foi um importante matemático inglês que colaborou decisivamente com o esforço de guerra britânico durante a segunda guerra mundial ao conseguir decifrar os códigos que transmitiam as mensagens nazistas, mas que, alguns anos depois da guerra, foi preso por causa da sua homossexualidade e acabou sendo vítima do obscurantismo da legislação da época no Reino Unido. Ele propôs o chamado “teste de Turing”: se alguém pudesse teclar com um interlocutor desconhecido (na verdade um computador) por um determinado tempo e, ao final, não conseguisse determinar se estava teclando com um ser humano ou uma máquina, aquele computador para todos os efeitos teria algum tipo de inteligência similar àquela do ser humano, pois estava imitando-a perfeitamente. O instigante filme “O jogo da imitação” sobre Alan Turing, lançado neste ano de 2015, aborda estas questões.
Parte do público presente ao cinedebate
Diversos dos presentes ressaltaram a forma como a arte do cinema permite ampliar a visão de mundo das pessoas ao fazê-las refletir sobre diferentes situações, conferindo papel de destaque à alteridade, ou seja, à capacidade de se colocar na pele de outra pessoa. Foi destacado também o fato de que a prova de redação do ENEM que ocorreu recentemente, em 25/10/2015, teve como tema “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, enquanto que o cinedebate anterior, que ocorreu em 13/10/2015, apresentou dois filmes em torno do tema “meninas e direitos humanos” e com debates que discutiram questões associadas ao tema da redação do ENEM. Isto indica que as reflexões propiciadas pelos cine-debates têm sido relevantes e têm contribuído para a formação cidadã dos alunos das escolas públicas que participam deles.
As sessões de cinedebates acontecem com periodicidade quinzenal, são gratuitas e estão abertas a quaisquer interessados das comunidades interna e externa ao IFSP. O site cinedebate.com.br divulga as atividades que são realizadas e é uma boa fonte para quem quer conhecer melhor este projeto, inclusive para se informar sobre os próximos cinedebates.
Ricardo Roberto Plaza Teixeira
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