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Cinedebate

Cinedebate discutiu o filme “A Onda” no IFSP-Caraguatatuba

Escrito por Marco Antônio de Ulhôa Cintra | Última atualização em Sábado, 12 de Agosto de 2017, 18h38

No dia 05 de agosto de 2017, sábado, pela manhã entre 09h00 e 12h00, ocorreu uma nova sessão de cinedebate no auditório do Câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com a exibição – seguida pela posterior discussão – do filme “A Onda”, produzido na Alemanha em 2008. Esta atividade fez parte do rol de ações do programa de extensão “Cinedebate e atividades de educação científica e cultural” coordenado pelo professor Ricardo Roberto Plaza Teixeira e para a sua organização contou com o apoio de seus bolsistas deste programa de extensão (Kauã Estevam Cardoso de Freitas, Rodrigo Henrique Revelete Godoy, Juliana Caroline da Silva Sousa, Julia Cristina Barbosa Lucoveis, Rafael Honório Morais de Oliveira, Rafael do Nascimento Sorensen e Thiffany Souza do Nascimento), bem como de seus bolsistas de iniciação científica (João Pereira Neto, Adriana de Andrade e Izabela Duarte). Estiveram presentes também os professores Wanderson Santiago dos Reis, Juliana La Salvia Bueno, Priscila Cristini dos Santos e Marcelo Rosa Hatugai, todos docentes do IFSP-Caraguatatuba. A estudante secundarista Alícia de Andrade Freire de São José dos Campos também participou ativamente desta atividade cultural.

Público presente ao cinedebate sobre o filme “A Onda”

O filme “A Onda” (o título original em alemão é “Die Welle”) foi dirigido pelo diretor Dennis Gansel e conta com o ator Jürgen Vogel no papel do professor Rainer Wenger que leciona em uma escola de ensino médio na Alemanha. O trailer deste filme pode ser assistido em: <https://www.youtube.com/watch?v=brnEKSEvtZg>. Diversas informações sobre este filme (em inglês) podem ser obtidas no site do IMDB no link: <http://www.imdb.com/title/tt1063669/?ref_=fn_al_tt_2>. Uma boa resenha de análise de “A Onda” pode ser lida em: <https://www.ecodebate.com.br/2016/03/15/resenha-do-filme-a-onda-die-welle/>.

Este filme é baseado no livro homônimo de 1981 escrito pelo autor americano Todd Strasser, cuja narrativa está baseada na história real que ocorreu numa escola secundária de Palo Alto, na Califórnia, em 1967. No mesmo ano de 1981, foi lançada uma versão mais antiga deste filme, intitulada “The wave” e que foi produzida para a televisão norte-americana.

 

Professor Ricardo junto com estudantes que organizaram este cinedebate sobre o filme “A Onda”

Na trama do filme “A Onda” que foi exibido, após uma discussão em sala de aula sobre o modo como a ideologia nazista subiu ao poder nos anos 1930 na Alemanha – um dos países com maior número de prêmios Nobel na época – um aluno afirma que aquilo nunca poderia se repetir de novo. O professor, no filme, decide então realizar um “experimento de engenharia social” e inicia – juntamente com os estudantes da classe para a qual ele foi designado para discutir o tema da autocracia – na escola um movimento denominado “A Onda” que rapidamente adquire características fascistas e acaba fugindo ao seu controle.

Durante o debate que ocorreu após a exibição do filme, foi discutido como o fascismo muitas vezes está mais próximo de nós do que imaginamos, sobretudo no que diz respeito a questões como obediência cega, militarização da sociedade, segurança contra um medo estimulado, violência como forma de domínio político, uniformização e aversão à diversidade, disseminação de uma ideologia que exclui alguns que são considerados párias, repressão ao pensamento crítico, intolerância política, etc. Por outro lado, a adesão acrítica de jovens a “ondas” e modismos é algo que fica evidente no filme e o papel da educação deve ser sempre problematizar pretensos consensos sociais estabelecidos sem uma reflexão mais profunda. Em uma comparação com a conjuntura atual brasileira, que foi feita diversas vezes no debate, foi dado destaque ao fato de que muitos jovens das classes populares que apoiaram o impeachment que ocorreu em 2016 foram profundamente influenciados pelos meios de comunicação, entraram na “onda” e não se deram conta de como suas posições ameaçavam seus próprios direitos e interesses. Foi lembrado também que a subida dos nazistas ao poder na Alemanha em 1933 se deu pelo voto: uma maioria da sociedade alemã votou no partido nazista, apesar de que uma minoria relativamente expressiva desta mesma sociedade lutou de muitas formas contra esta ascensão dos nazistas ao poder. Obviamente, após tomar o poder o partido nazista acabou com as liberdades democráticas que existiam na Alemanha da época e iniciaram-se as perseguições a judeus, ciganos, comunistas, socialistas e outros cidadãos que eram considerados inimigos pelo regime nazista. Significativamente um dos braços mais importantes do Partido Nazista era a chamada Juventude Hitlerista que servia como base sólida para a disseminação da ideologia fascista na época.

Professores Wanderson, Ricardo, Juliana, Marcelo e Priscila, presentes neste cinedebate

As sessões de cinedebates são regularmente organizadas por bolsistas de iniciação científica e de extensão orientados pelo professor Ricardo Plaza, no âmbito do programa de extensão “Cinedebate e atividades de educação científica e cultural”. Seu objetivo principal é realizar reflexões críticas sobre história, ciência e cultura, envolvendo filmes e documentários selecionados com este propósito, bem como ampliar o repertório cultural e cinematográfico por parte dos alunos e do público em geral. Todas as sessões de cinedebates são gratuitas e abertas para quaisquer interessados, tanto da comunidade interna, quanto da comunidade externa ao IFSP; não é necessário fazer inscrição prévia: basta estar presente no auditório no início da exibição do filme. Professores e gestores de escolas públicas que pretendem que alunos de suas escolas participem de atividades deste gênero podem procurar o professor Ricardo Plaza, para juntos organizarem os detalhes.

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