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Cinedebate

Cinedebate abordou filme “Bicho de Sete Cabeças”

Criado: Segunda, 13 de Novembro de 2017, 13h08 | Última atualização em Segunda, 13 de Novembro de 2017, 13h34

No dia 11 de novembro de 2017, sábado, pela manhã entre 09h00 e 11h30, ocorreu uma nova sessão de cinedebate no auditório do Câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), com a exibição – seguida pela posterior discussão – do filme “Bicho de Sete Cabeças”. Esta atividade fez parte do rol de ações do programa de extensão “Cinedebate e atividades de educação científica e cultural” coordenado pelo professor Ricardo Roberto Plaza Teixeira e para a sua organização contou com o apoio de bolsistas deste programa de extensão (Rodrigo Henrique Revelete Godoy, Rafael Honório Morais de Oliveira e Diego Corrêa Peres de Souza), bem como de bolsistas de iniciação científica (João Pereira Neto, Adriana de Andrade e Izabela Duarte) também orientados por ele. Este cinedebate contou com a participação também do professor de artes Mauro Ribeiro Chaves e da psicóloga Teresa Cristina Cardoso Pereira Leite Daniel, ambos servidores do IFSP-Caraguatatuba, bem como da tecnóloga em gestão da qualidade Sueli Aparecida dos Santos, que colaboraram intensamente para o debate que ocorreu após a exibição.

Bolsistas do IFSP com Sueli Santos e Ricardo Plaza

“Bicho de Sete Cabeças” é um filme brasileiro que foi dirigido por Laís Bodanzky e lançado em 2000. A história é baseada nos fatos reais que são descritos no livro “Canto dos Malditos” do escritor brasileiro Austregésilo Carrano Bueno (1957-2008) que narra a sua experiência em hospitais psiquiátricos nos anos 1970 e denuncia as situações abusivas existentes em muitas destas instituições, tais como torturas e eletrochoques. Este escritor tornou-se um ativista importante do Movimento de Luta Antimanicomial.

O protagonista principal da história do filme é Neto, um jovem com 17 anos (interpretado magnificamente pelo ator Rodrigo Santoro) que é internado em um hospital psiquiátrico após seu pai (interpretado pelo ator Othon Bastos) encontrar um cigarro de maconha no bolso de sua jaqueta. Um tema que perpassa o filme é a respeito dos diferentes tipos de vícios que existem na sociedade (alguns lícitos e outros ilícitos), desde o vício do cigarro da mãe do protagonista (interpretada pela atriz Cássia Kis Magro) até o vício em álcool de um psiquiatra que aparece no filme. No final, antes da apresentação dos créditos do filme, aparece a informação de que no momento em que ele foi lançado (2000), existiam cerca de 70 mil pessoas internadas em hospitais psiquiátricos no Brasil.

Ricardo Plaza acompanhado da tecnóloga em gestão da qualidade Sueli Santos

Mais informações sobre este filme podem ser obtidas no site IMDB no link <http://www.imdb.com/title/tt0263124/?ref_=fn_al_tt_1> e no site “Adoro Cinema” no link <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-44066/>. O trailer deste filme pode ser assistido em: <https://www.youtube.com/watch?v=WZBCkt4PIaU>. O próprio filme está integralmente à disposição para ser assistido gratuitamente no site youtube no link: <https://www.youtube.com/watch?v=F6Yky54edpo>.

Ricardo Plaza e Teresa Cristina

Este filme, que recebeu 9 prêmios no festival de cinema de Brasília de 2000 (incluindo o prêmio de melhor ator para Rodrigo Santoro), é uma denúncia contundente a respeito do tratamento cruel que recebem muitas pessoas que são internadas em hospitais psiquiátricos. A trilha sonora foi composta por André Abujamra e contou com a participação dos músicos Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro que canta a belíssima música tema “Bicho de Sete Cabeças” que pode ser escutada em: <https://www.youtube.com/watch?v=n7j-0xR4hEc>.

Professores Mauro Chaves e Ricardo Plaza

No debate que transcorreu após a exibição foi destacada a excelente performance do ator Rodrigo Santoro neste filme. Foi citado também como é complexa a questão da loucura e sobre os fatores que podem desencadear momentos de insanidade, associados a situações de grande sofrimento psicológico, tais como, na expressão de um dos personagens do filme, a morte de um ente querido ou o fim de um grande amor, por exemplo. Outro ponto discutido foi como o dinheiro incentivava a internalização compulsória absolutamente desnecessária de pessoas mentalmente sãs na situação retratada no filme, pois o hospital psiquiátrico (e indiretamente seus funcionários) recebia recursos financeiros proporcionais ao número de internados. A mistura inadequada na mesma instituição de pessoas com problemas mentais com dependentes químicos também foi destacada. Mesmo no caso de cidadãos com algum vício, foi lembrado que as pesquisa indicam que a internação compulsória, contra a vontade da pessoa, na ampla maioria das vezes não resolve o problema, mas gera obviamente recursos financeiros para certas instituições que ganham muito com isso. Muitas das experiências já existentes indicam que uma alternativa humanitária e que não desperdice recursos públicos passa pelo acolhimento dos dependentes químicos, tratando-os com respeito e tentando recuperar a sua dignidade, bem como pela internação nos casos em que existir consentimento do dependente químico que será internado. Como foi salientado, os diferentes tipos de vícios existem nas sociedades humanas há milênios, em qualquer período histórico, em qualquer lugar geográfico e em qualquer tipo de cultura; a questão importante é como tratar a dependência química de alguns cidadãos: se por meio da violência e da coerção ou se por meio de um tratamento digno e civilizado que utilize de diferentes campos de conhecimento para minorar o problema e seus impactos.

Um livro associado ao tema do filme que foi lembrado pelos presentes é “A fabricação da loucura” de Thomas Stephen Szasz. A corrente de pensamento denominada antipsiquiatria que questiona a chamada psiquiatria coercitiva pode ser melhor conhecida por meio do artigo “A fabricação da loucura: contracultura e antipsiquiatria” de William Vaz de Oliveira, que está disponível para ser lido em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702011000100009>. Dois filmes relacionados a temas discutidos neste filme, que foram lembrados no debate, são “Nise – O coração da Loucura” e “O expresso da meia-noite”.

As sessões de cinedebates são regularmente organizadas por bolsistas de iniciação científica e de extensão orientados pelo professor Ricardo Plaza, no âmbito do programa de extensão “Cinedebate e atividades de educação científica e cultural”, que conta com recursos da Pró-Reitoria de Extensão (PRX) do IFSP. Seu objetivo principal é realizar reflexões críticas sobre história, ciência e cultura, envolvendo filmes e documentários selecionados com este propósito, bem como ampliar o repertório cultural e cinematográfico por parte dos alunos e do público em geral. Todas as sessões de cinedebates são gratuitas e abertas para quaisquer interessados, tanto da comunidade interna, quanto da comunidade externa ao IFSP; não é necessário fazer inscrição prévia: basta estar presente no auditório no início da exibição do filme. Docentes e gestores de escolas públicas que pretendem que alunos de suas escolas participem de atividades deste gênero podem procurar o professor Ricardo Plaza, para juntos organizarem os detalhes.

Fonte: Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira

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