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Dia da Consciência Negra

Cinedebate abordou filme sobre a segregação racial nos Estados Unidos

Publicado: Terça, 26 de Novembro de 2019, 09h41 | Última atualização em Terça, 26 de Novembro de 2019, 09h41

No dia 23 de novembro de 2019, sábado, a partir das 9h30 da manhã, no auditório do Câmpus de Caraguatatuba do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), ocorreu a exibição – seguida pelo posterior debate – do filme “Loving – Uma história de amor”, uma atividade realizada pelos projetos de extensão “Cinedebate” e “Apresentações Científicas e Culturais”, coordenados pelo professor Ricardo Roberto Plaza Teixeira, docente do IFSP-Caraguatatuba.

 

Foto: Professor Ricardo Plaza com bolsistas que ajudaram a organizar este cinedebate

 

Este cinedebate foi pensado para ocorrer na semana do dia 20 de novembro, o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, de modo a discutir sobre temas como racismo e desigualdade racial.  A organização deste cinedebate contou com o apoio do bolsista Vinicius Amaral Sousa Abrahão do projeto de extensão “Cinedebate”, do bolsista André da Silva Mendes do projeto de extensão “Apresentações Científicas e Culturais”, da bolsista Beatriz Aguida Gomes do projeto de ensino “A Música como ferramenta educacional para o combate a preconceitos” (aprovado de acordo com o edital 622/2019 da Pró-Reitoria de Ensino do IFSP) e da bolsista Nicoli Rocha Santos do projeto de pesquisa (com bolsa PIBIFSP) “Vídeos de curta duração como ferramentas educacionais contra discursos de ódio e fake news” (aprovado de acordo com o edital 621/2019 da Pró-Reitoria de Pesquisa do IFSP).

 

Foto: Cena do filme “Loving – Uma história de amor”

 

O filme “Loving – Uma história de amor” foi dirigido e escrito por Jeff Nichols e lançado em 2016. Basicamente ele narra a história real de Richard e Mildred Loving (interpretados pelos atores Joel Edgerton e Ruth Negga) que se casaram em 1958 e, posteriormente, foram presos no estado da Virginia, nos Estados Unidos, onde viviam, pelo motivo de formarem um casal inter-racial: a luta deles pelo direito ao seu casamento se transformou em uma batalha legal que fez com que a Suprema Corte dos EUA tomasse a decisão histórica de 1967 de tornar inconstitucional qualquer lei estadual que proibisse casamentos inter-raciais e deliberasse que o casamento é um direito inato do ser humano. No seu voto, o presidente da Suprema Corte (ministro Earl Warren), escreveu: ““O casamento é um dos direitos civis básicos do homem. Negar aos cidadãos esse direito é subverter o princípio constitucional da igualdade e privar os cidadãos da liberdade, sem o devido processo”.

Mais à frente, essa mesma decisão da Suprema Corte de 1967 seria usada como precedente em 2015 para a Suprema Corte dos EUA declarar inconstitucionais as leis estaduais proibindo casamentos de pessoas do mesmo sexo. Portanto, a história de Richard e Mildred Loving não ajudou apenas a banir uma legislação racista, mas também a derrubar uma legislação homofóbica. Mais informações em português acerca deste filme podem ser encontradas no artigo “Uma História de Amor / Loving” disponível gratuitamente aqui. Por sua vez, um bom artigo sobre a decisão da Suprema Corte de 1967 intitulado “EUA celebram 50 anos de decisão judicial que foi "marco dos direitos civis" pode ser acessado e lido aqui.


Foto: Mildred e Richard Loving na vida real

 

Durante o debate após a sessão de exibição do filme, foi lembrado que há diferenças entre a história dos Estados Unidos e a história do Brasil; por exemplo, após a abolição da escravidão, no Brasil não existiram leis de segregação racial do mesmo gênero que ocorreu nos EUA. Mas isto não significa negar a existência do racismo no Brasil, no passado ou no presente, pois o preconceito racial em nosso país está muito relacionado a questões estruturais e a desigualdades raciais – em termos econômicos, educacionais, etc. – que existem de modo muito intenso até os dias de hoje.

Foi lembrado também que o filme mostrou como os segregacionistas usavam de argumentos religiosos para tentar justificar leis racistas. Isto aparece, por exemplo, na decisão de um juiz de proibir casamentos inter-raciais argumentando que Deus criou diferentes raças e colocou-as separadas em diferentes continentes, pois não queria que elas se misturassem. Ou nas palavras de um policial que justifica as leis que proibiam a miscigenação, afirmando: “Essa é a lei de Deus”.

O filme também mostra a importância da luta política realizada pela ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis, na sigla em português) nos Estados Unidos dos anos 1960 pelos direitos civis da população afrodescendente e pelo fim das leis de segregação racial.

As sessões de cinedebates são regularmente organizadas por bolsistas e voluntários no âmbito dos projetos de extensão “Cinedebate” e “Apresentações Científicas e Culturais”, que são coordenados pelo professor Ricardo Plaza no IFSP-Caraguatatuba. Seu objetivo principal é realizar reflexões críticas sobre história, ciência e cultura, envolvendo filmes e documentários selecionados com este propósito, bem como ampliar o repertório cultural e cinematográfico por parte dos alunos e do público em geral. Todas as sessões de cinedebates são gratuitas e abertas para quaisquer interessados, tanto da comunidade interna, quanto da comunidade externa ao IFSP. Não é necessário fazer inscrição prévia: basta estar presente no auditório no início da exibição do filme. A programação dos cinedebates que estão previstos para acontecer se encontra sempre disponível no site do IFSP-Caraguatatuba em um espaço próprio sobre os cinedebates. Professores e gestores de escolas públicas que pretendem que alunos de suas instituições de ensino participem de atividades deste gênero podem procurar o professor Ricardo Plaza para juntos organizarem os detalhes.

 

Fonte: Prof. Dr. Ricardo Roberto Plaza Teixeira

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